1- EDUCAÇÃO:
A rígida aplicação do Pacto Colonial foi responsável pelo desinteresse de Portugal com relação à Educação na colônia do Brasil. A preocupação básica da metrópole, fundamentada nos princípios do Mercantilismo, era a exploração e o lucro.
Coube, então, às Ordens Religiosas o trabalho da catequese e a organização de um "sistema de ensino". Nesse contexto, destacou-se o trabalho da Companhia de Jesus.
Fundada na Espanha por Inácio de Loyola, em 1534, esta ordem religiosa foi parte da Contrarreforma como forma de deter o avanço do Protestantismo. Assumindo a condição de peregrinos ou apóstolos, os padres jesuítas viajaram o mundo para difundir o Evangelho segundo as tradições católicas. A educação foi o instrumento para atingir esse objetivo.
Os jesuítas participaram ativamente da expansão marítima desenvolvida pelos ibéricos a partir das últimas décadas do século XV. Especificamente com relação à expansão portuguesa, estiveram presentes na Ásia, África e América. No Brasil, onde se destacaram os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, foram fundamentais no trabalho da catequese indígena e de sua integração à colonização portuguesa.
A obra da catequese indígena pelos padres jesuítas, fundamental para a colonização inicial do Brasil, representou, de forma genérica, a conversão do indígena à fé católica. O seu desenvolvimento estava ligado aos interesses da Igreja e do Estado português. No primeiro caso, recuperar as perdas de fiéis, na Europa, por conta da Reforma Protestante. Para Portugal, facilitar a integração do indígena aos objetivos mercantilistas da colonização. Para os primeiros habitantes do Brasil representou a destruição da sua cultura e a submissão ao colonizador.
Para facilitar a comunicação entre colonizador e índios, foi criada uma língua chamada "Língua Brasílica", "língua geral", "língua boa" ou "nheengatu". O Padre José de Anchieta foi o primeiro a estabelecer, por escrito, uma gramática e vocabulário para essa língua.
O "nheengatu" como língua geral não sobreviveu à expulsão dos jesuítas, em 1759. Um decreto do marquês de Pombal, de 1761, proibiu o seu uso em todo o território brasileiro e determinou o Português como língua oficial. Mesmo assim, muitas palavras de hoje em dia foram, de algum modo, vocábulos da "língua geral".
Utilizando o "nheengatu" como língua básica da catequese, os jesuítas desenvolveram um "sistema de ensino" dividido nas "Escolas de Ler e Escrever" e nos "Colégios".
As "Escolas de Ler e Escrever" levavam o ensino às crianças indígenas e aos filhos de colonos sem posses. As crianças se reuniam em frente à Igreja para participar da missa e da catequese. Depois de um almoço rápido, tinha início a aula propriamente dita, quando aprendiam a ler, a escrever e a tocar algum instrumento.
Os "Colégios", preocupados com os "estudos humanitários", atendiam aos filhos dos colonos com posse. Dividiam o ensino em duas fases:
1ª - com duração de seis anos, os alunos estudavam Retórica, Gramática, Poesia e História.
2ª- com duração de três anos, privilegiava o estudo da Filosofia e da Teologia. Demonstrando uma forte preocupação religiosa, tinha como objetivo principal a formação de novos sacerdotes.
Com a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, a metrópole assumiu o sistema e tentou, sem sucesso, levar adiante o trabalho educativo.
2-
2 - CULTURA:
Assim como na organização administrativa e econômica, a Cultura também foi imposta pelo colonizador segundo a sua maneira de viver e pensar. Apesar de dominadas e reprimidas violentamente, as culturas indígena e negra resistiram e contribuíram, decisivamente, para a formação da Cultura Brasileira através do sincretismo (mistura de características culturais de povos diferentes).
Embora desprezada pelos europeus, a cultura indígena era, e continua sendo muito rica. Na cerâmica e na pintura os índios eram muito habilidosos. Também conheciam a música, utilizando instrumentos rudimentares de sopro e percussão para acompanhar suas danças e rituais. Palavras faladas na Língua Portuguesa do Brasil, preservação do meio ambiente, luta pela terra e muitos hábitos e costumes são práticas indígenas que fazem parte do nosso dia a dia.
A cultura do colonizador português constitui a base da cultura brasileira atual. Na fase colonial possuía forte influência religiosa. Entre os séculos XVI e XVII limitou-se a um transplante de modelos europeus. No século XVIII destacou-se a arte Barroca. De origem italiana, foi fortemente influenciada pela Reforma Católica (Contrarreforma). No Brasil, na região da mineração, ganhou características próprias. O Barroco Mineiro, fortemente influenciado pela riqueza da mineração e pela intensa urbanização da região, apresentou linhas originais e rebuscadas. Seu artista mais importante foi o arquiteto e escultor Antonio Francisco Lisboa, conhecido como "Aleijadinho", pois tinha uma doença que afetava o movimento dos pés e mãos.
A presença da cultura africana foi (e continua sendo) importante por uma série de hábitos e costumes brasileiros, assim como na luta pela liberdade e contra o preconceito. No aspecto religioso, ocorreu um processo de sincretismo. Impedidos de promover seus cultos trazidos da África e forçados a aceitar o catolicismo, os escravos traçaram paralelos entre seus orixás e os santos católicos. Assim, por exemplo, São Jorge é Ogum e Yemanjá é Nossa Senhora.
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