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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

História (Oitavo Ano do E.F. II) - A Independência da América Latina e do Brasil


I - Contextualização

Nós já sabemos que a ideologia libertária do Iluminismo desenvolveu-se, no decorrer do século XVIII, em oposição à estrutura do Antigo Regime. As ideias burguesas de igualdade, liberdade e fraternidade foram responsáveis por revoluções e movimentos políticos na Europa e na América.
Se a independência da América Latina encerrou esse período de transformações influenciado pela ideologia do Iluminismo, ela teria como causas gerais os movimentos anteriores? Sim. Quais seriam, então, esses movimentos e sua contribuição para esses processos de independência?

1- Independência dos EUA: primeira nação independente da América, sua luta influenciou os colonos ibéricos.
2- Revolução Industrial inglesa: o crescimento da produção exigia a ampliação dos mercados consumidores, contribuindo para a quebra do pacto colonial ibérico.
3- Revolução Francesa: foi responsável pela maior difusão dos ideais de liberdade do Iluminismo.
4- Guerras Napoleônicas: as invasões da Espanha e de Portugal foram responsáveis por mudanças nas colônias ibéricas, favorecendo a independência.

Também contribuiu para esses processos o descontentamento da elite colonial devido a ampliação da exploração metropolitana em função da crise do Antigo Sistema Colonial ibérico.
Concluindo essas causas gerais, é importante afirmar que os ideais de liberdade do Iluminismo - como já havia acontecido na independência dos EUA - foram apropriados pela classe dominante, composta basicamente por latifundiários. Os trabalhadores pobres continuaram sendo explorados; os negros escravizados; e os indígenas explorados ou perseguidos.

II - Os Movimentos Precursores

1- Na AMÉRICA ESPANHOLA, lutando contra as péssimas condições de vida e trabalho da comunidade indígena, destacou-se a rebelião do indígena Tupac Amaru, no Vice-Reinado do Peru (1780/1781).

2- Na AMÉRICA PORTUGUESA - o Brasil - destacaram-se as Conjurações Mineira (1789) e Baiana (1798). Apesar da luta contra a exploração da metrópole, pela independência local, esses movimentos apresentaram características diferentes:

Conjuração Mineira:
-Influência da Independência dos EUA.
-Participação da elite mineira (mineradores, latifundiários, profissionais liberais, etc.)

Conjuração Baiana:
- Influenciada pela fase radical (Robespierre) da Revolução Francesa.
- Forte participação das classes populares, incluindo negros.

III - A Independência da América Espanhola - os acontecimentos:

1- ocupação napoleônica da Espanha.

2- reação dos colonos: liderados pelos "CRIOLLOS" - brancos nascidos na América, com grande poder econômico e social - rejeitaram as ordens vindas da Espanha napoleônica.

3- formação das Juntas Governativas Provisórias: lideradas pelos "criollos", proclamaram a independência das várias colônias espanholas da América.

4- fragmentação político-territorial, com a formação de vários países independentes sob forma republicana.

IV - A Independência do Brasil - os acontecimentos:

1- invasão napoleônica de Portugal.

2- a Corte portuguesa, liderada pelo príncipe-regente D. João e apoiada pela Inglaterra, vem para o Brasil.

3- O Período Joanino (1808/1821) - Correspondendo à fase de permanência da Corte no Brasil, foi responsável por uma série de transformações importantes na colônia do Brasil:

> Destaque para as transformações econômicas:
- decreto de ABERTURA DOS PORTOS "às nações amigas": estabelecido pelo príncipe D. João em Salvador, determinou o fim do pacto colonial português sobre o Brasil. A partir daí, a colônia poderia comercializar com qualquer nação amiga de Portugal. Passou então a haver liberdade econômica para a colônia do Brasil.

- revogação do Alvará (lei) de 1795 que proibia manufaturas no Brasil.

- assinatura com a Inglaterra do Tratado de Comércio e Navegação (1810) - estabelecia impostos sobre os produtos importados, favorecendo a burguesia inglesa: 15% para os ingleses, 16% para os portugueses e 24% para as demais nacionalidades.

> Outras transformações/acontecimentos:

- declaração de guerra à França e Espanha, com a ocupação da Guiana Francesa e da Província Cisplatina;
- modernização da cidade do Rio de Janeiro: ruas, praças, construções, teatros, Biblioteca Real, Horto Real (Jardim Botânico), Banco do Brasil, Missão Artística Francesa;
- distribuição de títulos de nobreza;
- elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal (1815); logo depois, com a morte da rainha-mãe, D. Maria I, príncipe-regente foi coroado rei de Portugal e do Brasil com o título de D. João VI;
- Revolução do Porto (1820) - ocorrida em Portugal, na cidade do Porto, e liderada pela burguesia portuguesa, exigia a organização de uma Monarquia Constitucional, a volta do rei para Portugal e a "recolonização" do Brasil.

4- A independência do Brasil também teve um caráter conservador
A proposta de "recolonização", tirando do Brasil todas as vantagens obtidas com a permanência da Corte, foi rejeitada pelo príncipe-regente D. Pedro e pela elite brasileira. Juntos, promovendo uma troca de interesses, eles proclamaram a independência. Como podemos explicar essa troca de interesses?
- não houve participação popular;
- troca de interesses entre:
1º- O Príncipe D. Pedro - ficaria com o trono do Brasil independente (dinastia Bragança);
2º- A Elite Brasileira - tinha a garantia de D. Pedro de manter seus privilégios de origem colonial, o latifúndio e a escravidão.

História (Oitavo Ano do E.F II) - O Império Brasileiro: o Governo de D. Pedro I (1822/1831)


I - Contextualização

A independência do Brasil constituiu um movimento conservador. As classes populares não tiveram qualquer participação no movimento. Ocorreu, na realidade, uma troca de interesses entre o príncipe-regente D. Pedro - que proclamou a independência - e a elite brasileira de origem colonial. Para o príncipe significou a manutenção da dinastia portuguesa dos Bragança no trono do Brasil independente. Para a elite, a manutenção dos seus privilégios, como o latifúndio e a escravidão, e a integridade territorial do país.
A partir do dia 7 de setembro de 1822 podemos dividir o governo de D. Pedro I em duas fases, sempre levando em consideração as relações entre o Imperador e a elite.

II- A 1ª Fase - a aliança entre D. Pedro I e a elite: a construção do Estado Imperial

No contexto dessa aliança, os primeiros acontecimentos que marcaram o Brasil independente foram:
a) luta contra os inimigos internos: Guerra da Independência - vitória sobre as tropas ainda fiéis a Lisboa nas Províncias do Pará, Piauí, Maranhão, Bahia e Cisplatina.
b) reconhecimento internacional: para poder estabelecer relações diplomáticas com outros países do mundo, o Brasil precisava ter sua independência reconhecida. O 1º país a reconhecê-la foram os Estados Unidos. Sob pressão inglesa, que visava o domínio do mercado brasileiro, ocorreu o reconhecimento de Portugal. Seguiram-se a Inglaterra e os demais países europeus.
c) dar ao novo Estado uma organização jurídica e administrativa: houve, então, a convocação de uma Assembleia Constituinte. Noventa constituintes eleitos de forma censitária, que representavam os interesses dos setores conservadores da sociedade, reuniram-se para discutir um projeto de Constituição conhecido como "Constituição da Mandioca" (previa, entre outros, que a renda mínima para o voto censitário seria com base no valor de pés de mandioca e propunha limitações para o poder do imperador).

III - A 2ª Fase - o rompimento das relações de D. Pedro e a elite: crise e abdicação

Nas primeiras reuniões da Assembleia Constituinte ocorreram divergências quanto a organização do Estado Brasileiro. O chamado "Partido Português" apoiava a concentração dos poderes na mão do imperador. Já o "Partido Brasileiro", com o apoio da maior parte da elite, queria controlar o poder imperial.
A reação de D. Pedro I foi imediata: de forma autoritária dissolveu a Assembleia Constituinte e outorgou a Constituição Brasileira de 1824. Entre suas principais características podemos citar:
- divisão dos poderes em Moderador, Executivo, Legislativo e Judiciário;
- contrariando a Teoria dos Três Poderes de Montesquieu houve a supremacia do Poder Moderador sobre os demais. Ele concentrava o poder nas mãos do Imperador, que poderia intervir nos demais poderes;
- o Poder Executivo era exercido pelos Ministros escolhidos pelo Imperador;
- o Poder Legislativo era composto pelo Senado (escolhido e vitalício) e pela Câmara dos Deputados (eleitos de forma censitária para um mandato de três anos);
- eleição censitária, a descoberto (não era secreta) e indireta (feita em 3 níveis);
- regime do Padroado, que transformava o Catolicismo em religião oficial e subordinava a Igreja ao Estado; etc.
A dissolução da Assembleia Constituinte e a imposição da Constituição provocaram o rompimento das relações entre o imperador e a elite. A partir daí uma série de acontecimentos foram ampliando a crise:
- violenta repressão à Confederação do Equador (movimento separatista e republicano ocorrido em Pernambuco e parte do Nordeste); seus principais líderes foram enforcados;
- temor com a recolonização: D. Pedro I era sucessor da Coroa Portuguesa. Com a morte de D. João VI ele teria direito de assumir aquele trono, unindo, mais uma vez, o Brasil a Portugal;
- forte crise econômica: explicada pela decadência das atividades de origem colonial (açúcar, algodão, etc.);
- independência da Cisplatina, que se transformou na República do Uruguai;
- constante intromissão nos assuntos de internos de Portugal: o imperador comandava do Brasil a luta contra seu irmão D. Miguel pelo trono português em favor de sua filha Dona Maria da Glória;
- críticas da imprensa contra as atitudes de D. Pedro I, culminando com o assassinato do jornalista Líbero Badaró em São Paulo;
- "noite das garrafadas": luta no centro do Rio de Janeiro entre opositores ("brasileiros") e apoiadores ("portugueses") do imperador;
- demissão do "Ministério dos Brasileiros": substituído pelo "Ministério dos Marqueses", composto exclusivamente por políticos do "Partido Português".
A demissão do "Ministério dos Brasileiros" provocou uma forte reação do "Partido Brasileiro". Uma manifestação no Rio de Janeiro exigia a sua reintegração. Essa atitude deixou o imperador isolado, perdendo inclusive o apoio do Exército. No dia 7 de abril de 1831 ele abdicou ao trono brasileiro e voltou para Portugal.

História (Oitavo Ano do E.F. II) - O Congresso de Viena


1- Reunido após derrota de Napoleão e o fim a Revolução Francesa.

2- Objetivo: restaurar o Antigo Regime europeu.

3- Participantes: todos os países afetados pela Revolução e pelas guerras napoleônicas; as decisões, no entanto, foram tomadas pelas 4 grandes potências: Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria.

4- Objetivos das potências:

> As potências absolutistas promoveram mudanças no mapa europeu conforme seus interesses territoriais;
> Com isso, determinadas nacionalidades europeias foram impedidas de alcançar a independência (ex: alemães, italianos, poloneses, gregos, belgas, húngaros, etc;
> Enquanto as potências absolutistas disputavam territórios, a Inglaterra expandia-se pelo mundo, dominando mercados consumidores.

5- A partir do Congresso de Viena, formaram-se dois grupos antagônicos na Europa:

> Forças de CONSERVAÇÃO: absolutistas, favoráveis à todas as decisões que visavam a restauração do Antigo Regime na Europa.
OBS: Essas forças aprovaram no Congresso de Viena a POLÍTICA DE INTERVENÇÃO: intervenções militares em áreas europeias onde voltassem a acontecer novas revoluções.
> Forças de TRANSFORMAÇÃO: oposição às decisões do Congresso de Viena; forças burguesas influenciadas pelo Iluminismo/Liberalismo; foram responsáveis por um novo ciclo revolucionário na Europa: Revoluções Liberais e Nacionais (1820, 1830, 1848).

História (Oitavo Ano do E.F. II) - A Revolução Francesa de 1789


1- Constitui a mais importante Revolução Burguesa da História:

> representou a destruição do Antigo Regime francês.
> contribuiu para a crise do Antigo Regime europeu.
> influenciou os movimentos de independência na América Latina.

2- As Causas

> Influência da ideologia do Iluminismo ("liberdade, igualdade e fraternidade")
> Crise do Antigo Regime francês: prejuízos com guerras; o sustento de uma corte suntuosa; os privilégios do clero e da nobreza; insatisfação do 3º Estado com a rígida cobrança de impostos; problemas climáticos prejudicando a produção agrícola, etc.

3- O Caminho para a Revolução

> buscando soluções para a crise, o rei Luís XVI convocou os Estados Gerais:
- Era o Parlamento da Monarquia Absolutista francesa;
- Participavam representantes dos 3 estados sociais, escolhidos pelo rei.

> Divergências entre os representantes dos 3 estados sociais:
- Clero/Nobreza: não aceitavam perder privilégios e modificar o sistema de votação dos Estados Gerais, que era por Estado Geral (3 votos);
- 3º Estado (deputados burgueses): exigia o fim dos privilégios e que a votação nos Estados Gerais fosse individual.

> Não havendo acordo, o rei resolveu dissolver os Estados Gerais.

> Reação do 3º Estado à dissolução - ocorreu de duas formas diferentes:

- Moderada: os representantes burgueses do 3º Estado resolvem criar um novo parlamento: a Assembleia Nacional; o objetivo seria a aprovação de reformas;
- Radical: revolta popular nas ruas de Paris culminando com o episódio da Queda da Bastilha (14 de julho de 1789); o objetivo era a destruição violenta do Antigo Regime.

> Conclusão: o temor do Clero, da Nobreza e do Rei com a revolta popular levou-os a ocultar a Assembleia Nacional; tal fato enfraqueceu o movimento popular e garantiu a liderança burguesa no início da Revolução.


4- As Fases da Revolução Francesa

> O tempo da Revolução: de 1789 (reunião da Assembleia Nacional e Queda da Bastilha) até 1815 (derrota definitiva de Napoleão Bonaparte).

> As Fases:

1ª- MODERADA - 1789/1792 - as transformações revolucionárias burguesas foram feitas através da aprovação de leis no decorrer da Assembleia Nacional.
2ª- RADICAL - 1792/1795 - única fase efetivamente popular; destacou-se o governo de Robespierre (1793/1794).
3ª- CONSERVADORA - 1795/1815 - a burguesia recupera e afirma, definitivamente, a liderança sobre o processo revolucionário; destacou-se o Período Napoleônico (1799/1815).

5- A Fase Moderada (1789/1792)

> as transformações - sob liderança burguesa, de forma moderada, aprovando novas leis, a Revolução se desenvolve. Destacam-se, entre outros:
- Substituição da Monarquia Absolutista por uma Monarquia Constitucional;
- Abolição das obrigações feudais;
- Aprovação de Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que estabelecia a igualdade perante a lei, o direito à liberdade de expressão e à propriedade privada;
- Promulgação da Constituição de 1791, que estabelecia, entre outras coisas: substituição da noção de "súdito" pela noção de "cidadão" no contexto da nova sociedade liberal; estabelecimento do voto censitário; divisão do poder; adoção do livre-comércio e da livre-iniciativa - Liberalismo Econômico/Capitalismo - substituindo as práticas econômicas feudais e mercantilistas; manutenção da escravidão nas colônias; etc.

> A passagem para a nova fase - ligada a dois acontecimentos importantes:
1º - tentativa de contrarrevolução por parte das forças ligadas ao Antigo Regime (rei, clero, nobreza e forças absolutistas externas);
2º - Levante popular em Paris com forte participação dos "sans-culottes" (grupos urbanos radicais de Paris: artesãos, operários e lojistas).

6 - A Fase Radical (1792/1795)

> Com a derrota da contrarrevolução houve a proclamação da República e a formação de uma nova Assembleia, a Convenção, onde se destacaram dois grupos políticos:
1º- Girondinos- representavam os interesses da grande burguesia republicana; seu objetivo era continuar aprovando leis favoráveis à burguesia.
2º- Jacobinos- defendiam os interesses da classe média (pequena burguesia) e das classes populares ("sans-culottes"). Seu objetivo era a aprovação de reformas populares.

> Após um período de governo Girondino, destacou-se o governo Jacobino, liderado por Robespierre (1793/1794). Novas reformas, efetivamente populares, foram realizadas:
- Estabelecimento do voto universal;
- Tabelamento dos preços dos gêneros alimentícios;
- Realização de uma reforma agrária: as terras que pertenciam ao Clero/Nobreza foram divididas entre os camponeses;
- Criação da escola pública;
- Libertação dos escravos nas colônias;
OBS: Desenvolvimento do "TERROR": condenação a morte de milhares de franceses acusados de contrarrevolucionários.

> A passagem para a nova fase - ligada a três fatores importantes:
1º- Temor da sociedade com a radicalização revolucionária através do "Terror";
2º- Descontentamento da burguesia com as medidas populares;
3º- Derrubada do governo de Robesbierre pela burguesia através da chamada "Reação Termidoriana".

7- A Fase Conservadora (1795/1815)

> Foi responsável pela consolidação do poder burguês na França.

> Apesar disso, o novo governo burguês e girondino conhecido como Diretório (1795/1799) foi caracterizado por uma forte crise e instabilidade política, econômica e social.

> A consolidação ocorreu durante o Período Napoleônico (1799/1815): através de um golpe de Estado, o "golpe do 18 Brumário", o general Napoleão Bonaparte assumiu o poder na França. Este período se desenvolveu sob duas formas de governo: o Consulado (1799/1804) e o Império (1804/1815).

> Características básicas do Consulado:
- Manutenção da República;
- Realização de uma série de REFORMAS:
*Causa: a crise existente na França;
*Realização de reformas na economia (fortalecimento do capitalismo), na justiça ("Código de Napoleão"), na educação (ampliação da escola pública), etc.
*Consequências: diminuição da crise, estabilidade do país, mplantação da Revolução Industrial francesa, substituição do Consulado pelo Império.

> A estabilidade do país fortaleceu o apoio da burguesia a Napoleão e deu-lhe grande popularidade. Tais fatos explicam a facilidade com que a República do Consulado foi abolida e substituída por um Império. O general recebeu, então, o título de Napoleão I. Seu governo imperial caracterizou-se, principalmente, por uma série de guerras:
- Realização de guerras contra os inimigos da Revolução: a Europa do Antigo Regime e a Inglaterra burguesa.
- Causas da Guerra:
1ª- Política- Divergências entre a França iluminista e revolucionária e o Antigo Regime Europeu;
2ª- Econômica- Disputa entre as burguesias francesa e inglesa pelos mercados consumidores europeus: Napoleão decretou o BLOQUEIO CONTINENTAL, proibindo a Europa de fazer comércio com a Inglaterra.
- Invasões Napoleônicas - exemplos:
1º- Espanha e Portugal (Independência da América Latina).
2º- Rússia - Fracasso militar (1812/1814)

8- Conclusão

> A grande quantidade de guerras desestabilizou a Revolução; o fracasso militar na Rússia apressou o fim da Revolução.
> Após a retirada da Rússia, Napoleão foi derrotado na Batalha de Leipzig, na Prússia, por uma coligação de países liderados pela Inglaterra.
> Abdicação de Napoleão ao trono da França e tentativa de restauração do Antigo Regime (Luís XVIII). Ao mesmo tempo, foi convocado pelos inimigos da Revolução o "Congresso de Viena". Reunido em 1815, seu objetivo era a restauração do Antigo Regime em toda a Europa (exceto a Inglaterra).
> Volta da Napoleão ao poder e tentativa de reorganização do poder: "Governo dos Cem Dias". Derrota definitiva de Napoleão de da Revolução na Batalha de Waterloo (1815). A Revolução havia terminado.

História (Oitavo Ano do E.F. II) - A Revolução Industrial (Primeira Fase)


1- Iniciada na Inglaterra, a partir da 2ª metade do século XVIII (mais ou menos 1760), pode ser dividida em duas grandes fases:

- 1ª Revolução Industrial (mais ou menos 1760 até mais ou menos 1870) - depois da Inglaterra, no decorrer do século XIX, desenvolveu-se na França, na Bélgica, na Prússia (atual Alemanha), no Piemonte (atual Itália), nos EUA e no Japão.
- 2ª Revolução Industrial (mais ou menos 1870 até hoje)

2- Características Gerais da 1ª Revolução Industrial

> a FÁBRICA transformou-se no grande centro da produção;
> a utilização da máquina na produção - ex: máquinas a vapor (James Watt) e têxteis (de tecer e de fiar);
> energia = vapor;
> matérias-primas - carvão, ferro, lã e algodão.
> Indústrias mais importantes: metalúrgica e têxtil.
> Organização empresarial: existência de uma grande quantidade de pequenas e médias indústrias com grande concorrência no mercado.

3- Consequências:

> Organização da Economia capitalista na sua 1ª fase: o Capitalismo Industrial, Liberal ou Livre-Concorrencial;
> Grande desenvolvimento tecnológico gerando o aumento da produção e o lucro;
> Ocorreu uma revolução nos transportes (navios e locomotivas a vapor) e na agricultura (novas tecnologias);
> Vários tipos de poluição;
> Fortalecimento do Estado Capitalista e Burguês, "Democracia Liberal";
> Formação de uma nova classe social: o PROLETARIADO ou OPERARIADO;
> Organização definitiva da Sociedade Liberal:
1ª Classe - Burguesia: classe dominante, proprietária dos meios de produção (fábrica, máquina, matéria prima, etc.), concentra toda a riqueza em suas mãos.
2ª Classe - Média ou pequena burguesia.
3ª Classe - Proletariado: trabalhadores das indústrias; não possuiam qualquer tipo de propriedade; está submetido a péssimas condições de vida e trabalho:
- baixos salários;
- longa jornada de trabalho;
- exploração do trabalho feminino e infantil;
- péssimas moradias.

História (Oitavo Ano do E.F. II) - Independência dos Estados Unidos


1- As Treze Colônias Inglesas

> No decorrer do século XVII e na 1ª metade do século XVIII, a colonização inglesa caracterizou-se pela NEGLIGÊNCIA SALUTAR:
Definição: é o período da colonização caracterizado pelo desinteresse da metrópole inglesa com relação às suas treze colônias.
Causas do desinteresse:
- Inexistência de riquezas naturais que atendessem os objetivos do mercantilismo inglês;
- Problemas internos da Inglaterra no decorrer do século XVII (burguesia X reis absolutistas - Revolução Gloriosa de 1688)
Consequências:
- Colonização de povoamento;
- Existência de um pacto colonial fraco;
- Liberdade e autonomia para os colonos.

> No decorrer da 2ª metade do século XVIII, a Inglaterra promoveu uma MODIFICAÇÃO DA POLÍTICA COLONIAL:
Causas da mudança:
- Prejuízos financeiros contra a Guerra dos Sete Anos (1756/1763) contra a França - o Governo Inglês decidiu cobrar dos colonos uma "ajuda" para se recuperar financeiramente;
- Organização da monarquia constitucional e parlamentarista inglesa a partir da Revolução Gloriosa - burguesia no poder.
Consequências:
- Abandono da negligência salutar;
- Colonização de exploração;
- Pacto colonial rígido: aumento dos impostos; criação de novos impostos; estabelecimento de monopólios comerciais, fim da liberdade e autonomia dos colonos.

2- O Caminho para a Independência

> Reação dos colonos às novas medidas da política colonial: protesto do "Boston Tea Party" (os colonos jogaram o carregamento de chá vindo da Inglaterra ao mar).

> Reação da metrópole ao protesto dos colonos - imposição de novas medidas contra os colonos, conhecidas como LEIS INTOLERÁVEIS:
- Fechamento do Porto de Boston por tempo indeterminado;
- Exigência de indenização pelas perdas com o carregamento de chá jogado ao mar;
- Colonos presos nos protestos seriam julgados na Inglaterra;
- Presença de militares ingleses nas casas dos colonos.

> Os colonos reúnem-se nos Congressos de Filadélfia - no 2º Congresso foi apresentado por Thomas Jefferson um documento intitulado "Declaração da Independência": sua aprovação significava o rompimento com a Inglaterra e a Independência (4 de julho de 1776).

> Guerra da Independência (1776-1781) - contando com o apoio de potências europeias inimigas da Inglaterra - principalmente a França -, os colonos vencem a Guerra e garantem a Independência dos EUA.

> Tratado de Paris (1783) - a Inglaterra reconheceu a Independência dos EUA.

3- A Independência dos Estados Unidos foi um movimento político, pois só houve mudanças na política.


- NAS TREZE COLÔNIAS -

Política:
Governadas de acordo com o interesse da metrópole.

Economia:
- 9 Colônias do Norte - houve o desenvolvimento de agricultura (minifúndio, policultura, trabalho livre, produção voltada para o mercado interno), comércio e manufaturas.
- 4 Colônias do Sul - agricultura do tipo plantation (latifúndio, monucultura, mão-de-obra escrava, mercado externo).

Sociedade:
Dividida em classes sociais conforme a riqueza e as características raciais:
1ª Classe - brancos ricos: burguesia nortista e aristocratas sulistas;
2ª Classe - brancos pobres: trabalhadores livres, que vivem explorados;
3ª Classe - negros submetidos à escravidão;
4ª Classe - índios que estão sendo exterminados.


- EUA (pós-independência)-

Política:
Como país independente, passa a ser governado conforme os interesses dos norte-americanos.

Economia:
As atividades econômicas dos EUA permaneceram com as mesmas características da fase colonial.

Sociedade:
Como aconteceu na economia, também a sociedade dos EUA manteve as características da fase colonial.



História (Oitavo Ano do E.F. II) - As Ideias do Iluminismo


- O precursor das ideias do Iluminismo foi o filósofo inglês John Locke, no século XVII: Os monarcas devem representar os interesses da sociedade; caso isto não aconteça, a sociedade tem o direito de derrubar os reis.

- No século XVIII, na França, destacaram-se os filósofos Voltaire, Montesquieu e Rousseau > principais ideias:

*Críticas aos monarcas absolutistas;
*Crítica à intolerância religiosa (Voltaire);
*Defesa da liberdade de expressão (Voltaire);
*Montesquieu desenvolveu a 'Teoria dos Três Poderes': critica o poder centralizado e afirma o poder dividido em EXECUTIVO (governo), LEGISLATIVO (fazer leis) e JUDICIÁRIO (julga conforme as leis).

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OBS: Os Poderes no Brasil Atual

-Poder Executivo: Presidência da República;
-Poder Legislativo: Congresso nacional, dividido no Senado Federal e na Câmara dos Deputados Federais.
-Poder Judiciário: o mais importante tribunal de justiça é o STF - Supremo Tribunal Federal.

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-Rousseau: desenvolveu o conceito atual de Democracia - soberania popular (cabe ao povo, através do voto, escolher os governantes).


OBS: Existem dois tipos de voto.

*CENSITÁRIO - O indivíduo, para ter o direito ao voto, era obrigado por lei a possuir um rendimento mínimo anual.

*UNIVERSAL - Todo cidadão, independente da sua situação econômica e social, tem o direito ao voto.


-No desenvolvimento do Iluminismo também tiveram importância os ENCICLOPEDISTAS:

*Foram os responsáveis pela publicação das ideias dos filósofos;

*A Enciclopédia constituía um conjunto de livros onde estavam publicadas as ideias iluministas;

*Destacaram-se DIDEROT e D'ALEMBERT.


- AS DEMAIS IDEIAS DO ILUMINISMO -

>Na economia
Desenvolvendo críticas ao intervencionismo mercantilista, Adam Smith lançou as bases do Liberalismo Econômico (Capitalismo). Utilizando o lema "laissez faire, laissez passer" ("deixai fazer, deixai passar"), afirmava que "o mercado será orientado pela Lei da oferta de da procura. Ao mesmo tempo, em lugar dos metais preciosos que os Estados mercantilistas acumulavam como símbolo de riqueza, o trabalho passava a ser visto pelos liberais como a verdadeira fonte geradora de riqueza."
-Privatização dos meios de produção, liderança da burguesia, predomínio da propriedade privada, etc.

>Na política
Além das outras ideias, têm importância:
-Constituição: conjunto de leis que serve de base a um Estado.
OBS: Existem dois tipos de constituição:
-Outorgada: Quando é imposta pelo Governo;
-Promulgada: Discutida e aprovada pelos representantes da sociedade, reunidos em uma Assembleia Constituinte;
//-Parlamentarismo: forma de governo onde o Poder Executivo é exercido por um Primeiro Ministro escolhido pelo Parlamento;
-Liberdade de pensamento, reunião e expressão;
-Pluripartidarismo;
-etc.

>Na sociedade
As transformações econômicas e políticas foram acompanhadas pela substituição da Sociedade Estamental por uma Sociedade Liberal. Apresenta uma divisão em classes sociais conforme a riqueza, com mobilidade social e estabelecendo igualdade jurídica (todos são iguais perante a lei).

>Na cultura
O desenvolvimento de uma Cultura Antropocêntrica, valorizando o ser humano, afirmou, entre outras coisas, a capacidade humana de 'criar um mundo melhor, realizar inventos e controlar a natureza por meio da ciência'.
-A utilização do pensamento racional em substituição ao misticismo e às superstições (razão = inteligência).
-Defesa da Educação do povo;
-Criação de Escolas para todos;
-Liberdade religiosa;
-etc.

-AS CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS-

O desenvolvimento das ideias iluministas no decorrer do século XVIII e início do XIX atingiu a Europa e a América de formas diferentes:

>No continente europeu - expressou-se de duas formas:

1ª- DESPOTISMO ESCLARECIDO: desenvolvido por alguns monarcas absolutistas que buscavam a modernização de seus Estados através de reformas, tentava conciliar a estrutura do Antigo Regime com as novas ideias do Iluminismo.
Isto claramente não foi possível, já que o Iluminismo visava a destruição do Antigo Regime, e não reformas do mesmo. Além disso, as ideias do Iluminismo são completamente opostas às ideias do Antigo Regime.

2ª- REVOLUÇÕES:
-Definição de Revolução: geralmente violenta, é responsável por transformações radicais nas estruturas política, econômica, social e cultural de um Estado.
-A Revolução precursora dos ideais iluministas foi a Revolução Gloriosa inglesa de 1688 (séc. XVII). No decorrer do século XVIII desenvolveram-se a Revolução Industrial Inglesa e a Revolução Francesa de 1789.


>na América - ocorreram MOVIMENTOS POLÍTICOS. Atendendo aos interesses da elite de origem colonial na luta contra as antigas metrópoles, foram responsáveis pelo processo de independência das nações do continente americano. Após a Independência dos Estados Unidos (1776) seguiram-se a independência do Haiti (1804) e da América Latina ( 1810...)
O Haiti foi a única nação da América cuja independência não foi proclamada pela elite branca de origem colonial; foi uma obra da maioria negra, livre e escrava.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

História (Oitavo Ano do E.F. II) - Ideologia do Iluminismo

-Ideologia: conjunto de ideias que serve aos interesses/objetivos de governos, partidos políticos e pessoas. 

-Iluminismo-
 "O Iluminismo foi um movimento intelectual que defendeu o uso da razão como caminho para atingir a liberdade, a felicidade e o bem-estar social" ou "conjunto de ideias burguesas que se desenvolveram em oposição às velhas ideias do Antigo Regime*; iniciadas na Inglaterra (final do século XVII), ganharam características definitivas na França (sécula XVIII)". Tais explicações se completam.

 *Antigo Regime: estas velhas ideias serviram de base aos Estados europeus entre os séculos XV/XVI  e XVIII. Por exemplo:
>na Política: Absolutismo - concentração de todos os poderes nas mãos dos reis;
>na Economia: Mercantilismo - forte intervenção do Estado Absolutista nas atividades econômicos;
>na Cultura: Teocentrismo - cultura com forte influência religiosa;
>na Sociedade: Sociedade Estamental - dividida em "Estados Sociais" ou "Ordens Sociais" conforme à origem e aos privilégios dos indivíduos:
 1º Estado - Clero
2º Estado - Nobreza
3º Estado - Povo
 -Clero e Nobreza possuíam todos os direitos e privilégios;
-Povo não tinha direitos nem privilégios e era constituído pela burguesia, pelo trabalhador urbano e pelo trabalhador rural.

História (Oitavo Ano do E.F. II) -Educação e cultura no Brasil Colônia

1- EDUCAÇÃO:

 A rígida aplicação do Pacto Colonial foi responsável pelo desinteresse de Portugal com relação à Educação na colônia do Brasil. A preocupação básica da metrópole, fundamentada nos princípios do Mercantilismo, era a exploração e o lucro. Coube, então, às Ordens Religiosas o trabalho da catequese e a organização de um "sistema de ensino". Nesse contexto, destacou-se o trabalho da Companhia de Jesus. Fundada na Espanha por Inácio de Loyola, em 1534, esta ordem religiosa foi parte da Contrarreforma como forma de deter o avanço do Protestantismo. Assumindo a condição de peregrinos ou apóstolos, os padres jesuítas viajaram o mundo para difundir o Evangelho segundo as tradições católicas. A educação foi o instrumento para atingir esse objetivo. Os jesuítas participaram ativamente da expansão marítima desenvolvida pelos ibéricos a partir das últimas décadas do século XV. Especificamente com relação à expansão portuguesa, estiveram presentes na Ásia, África e América. No Brasil, onde se destacaram os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, foram fundamentais no trabalho da catequese indígena e de sua integração à colonização portuguesa. A obra da catequese indígena pelos padres jesuítas, fundamental para a colonização inicial do Brasil, representou, de forma genérica, a conversão do indígena à fé católica. O seu desenvolvimento estava ligado aos interesses da Igreja e do Estado português. No primeiro caso, recuperar as perdas de fiéis, na Europa, por conta da Reforma Protestante. Para Portugal, facilitar a integração do indígena aos objetivos mercantilistas da colonização. Para os primeiros habitantes do Brasil representou a destruição da sua cultura e a submissão ao colonizador. Para facilitar a comunicação entre colonizador e índios, foi criada uma língua chamada "Língua Brasílica", "língua geral", "língua boa" ou "nheengatu". O Padre José de Anchieta foi o primeiro a estabelecer, por escrito, uma gramática e vocabulário para essa língua. O "nheengatu" como língua geral não sobreviveu à expulsão dos jesuítas, em 1759. Um decreto do marquês de Pombal, de 1761, proibiu o seu uso em todo o território brasileiro e determinou o Português como língua oficial. Mesmo assim, muitas palavras de hoje em dia foram, de algum modo, vocábulos da "língua geral". Utilizando o "nheengatu" como língua básica da catequese, os jesuítas desenvolveram um "sistema de ensino" dividido nas "Escolas de Ler e Escrever" e nos "Colégios". As "Escolas de Ler e Escrever" levavam o ensino às crianças indígenas e aos filhos de colonos sem posses. As crianças se reuniam em frente à Igreja para participar da missa e da catequese. Depois de um almoço rápido, tinha início a aula propriamente dita, quando aprendiam a ler, a escrever e a tocar algum instrumento. Os "Colégios", preocupados com os "estudos humanitários", atendiam aos filhos dos colonos com posse. Dividiam o ensino em duas fases: 1ª - com duração de seis anos, os alunos estudavam Retórica, Gramática, Poesia e História. 2ª- com duração de três anos, privilegiava o estudo da Filosofia e da Teologia. Demonstrando uma forte preocupação religiosa, tinha como objetivo principal a formação de novos sacerdotes. Com a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, a metrópole assumiu o sistema e tentou, sem sucesso, levar adiante o trabalho educativo. 2-


2 - CULTURA:
Assim como na organização administrativa e econômica, a Cultura também foi imposta pelo colonizador segundo a sua maneira de viver e pensar. Apesar de dominadas e reprimidas violentamente, as culturas indígena e negra resistiram e contribuíram, decisivamente, para a formação da Cultura Brasileira através do sincretismo (mistura de características culturais de povos diferentes). Embora desprezada pelos europeus, a cultura indígena era, e continua sendo muito rica. Na cerâmica e na pintura os índios eram muito habilidosos. Também conheciam a música, utilizando instrumentos rudimentares de sopro e percussão para acompanhar suas danças e rituais. Palavras faladas na Língua Portuguesa do Brasil, preservação do meio ambiente, luta pela terra e muitos hábitos e costumes são práticas indígenas que fazem parte do nosso dia a dia. A cultura do colonizador português constitui a base da cultura brasileira atual. Na fase colonial possuía forte influência religiosa. Entre os séculos XVI e XVII limitou-se a um transplante de modelos europeus. No século XVIII destacou-se a arte Barroca. De origem italiana, foi fortemente influenciada pela Reforma Católica (Contrarreforma). No Brasil, na região da mineração, ganhou características próprias. O Barroco Mineiro, fortemente influenciado pela riqueza da mineração e pela intensa urbanização da região, apresentou linhas originais e rebuscadas. Seu artista mais importante foi o arquiteto e escultor Antonio Francisco Lisboa, conhecido como "Aleijadinho", pois tinha uma doença que afetava o movimento dos pés e mãos. A presença da cultura africana foi (e continua sendo) importante por uma série de hábitos e costumes brasileiros, assim como na luta pela liberdade  e contra o preconceito. No aspecto religioso, ocorreu um processo de sincretismo. Impedidos de promover seus cultos trazidos da África e forçados a aceitar o catolicismo, os escravos traçaram paralelos entre seus orixás e os santos católicos. Assim, por exemplo, São Jorge é Ogum e Yemanjá é Nossa Senhora.

História (Oitavo Ano do E.F. II) - Atividades Complementares na Colônia

1- Tabaco e Aguardente
 -Localização: Interior dos engenhos açucareiros;
 -Mão-de-obra: Escravo africano;
 -Função principal: Produtos de troca por escravos no litoral africano.

 2- Gado
 -Introduzido no Brasil através da Capitania de São Vicente;
 -Função original: transporte (carro de boi), tração (para mover o engenho) e alimentação (charque);
 -Com o crescimento do rebanho, o gado foi deslocado para o interior, surgindo as fazendas de gado (Nordeste, Centro-Oeste, Sul);
 -Mão-de-obra: Livre, o indígena e o caboclo;
 -Contribuiu para o povoamento e colonização do interior do Brasil;
 -Única atividade econômica voltada para o mercado interno.

 3- Algodão
 -Localização: Litoral do Nordeste, principalmente no Maranhão;
 -Como a cana-de-açúcar, o algodão foi produzido na forma de plantation.

 4- Drogas do Sertão
 -Atividade de extração vegetal no interior da Floresta Amazônica;
 -Mão-de-obra: livre, o indígena catequisado em grandes missões organizadas pelas ordens religiosas católicas;
 -Contribuíram para o povoamento e colonização da Região Norte.

História (Oitavo Ano do E.F. II) - A Mineração

1- A Expansão Bandeirante:


 -Fator determinante: Como consequência da crise açucareira, expedições foram enviadas ao interior em busca de riquezas.

 >TIPOS DE EXPEDIÇÕES:
 a) Entradas (século XVI):  Estimuladas principalmente pelo governo, partiram de vários pontos do litoral, principalmente nordestino.
 b) Bandeiras (séculos XVII/XVIII): Expedições particulares (partiam sempre de São Paulo ou de São Vicente), tendo como objetivo original o aprisionamento de indígenas para serem vendidos como escravos no litoral; mais tarde encontraram as minas de ouro.
 c) Monções (século XVIII): Expedições fluviais com destino ao Mato Grosso.

 >TIPOS DE BANDEIRAS:
 a) Caça ao índio: aprisionamento de indígenas no interior (missões jesuítas em Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul) para serem vendidos como escravos no litoral.
 b) Mineração: descoberta de ouro em Minas Gerais, Goiânia e Mato Grosso.
 c) Sertanismo de contrato: bandeirantes foram contratados por fazendeiros nordestinos com o objetivo de combater e destruir quilombos.


 2- Características da Produção Mineradora:
 -Tipo de mineração: Ouro de aluvião ou ouro de lavagem (explorado nas margens dos rios).
 -Na América Espanhola, o ouro era explorado através das "minas profundas".
 -Mão-de-Obra: Escravo africano.
 > A propriedade mineradora era de dois tipos:
 #Data: lote onde era feita a grande mineração;
 #Faiscação: já na fase decadente da mineração.
 -Ampliação da rigidez do pacto colonial, com uma política fiscal (impostos) rigorosa.
 >Exemplos:
 #Quinto (1/5 da produção)
 #Casas de Fundição: criadas para obrigar o minerador a fundir o ouro, transformando-o em barras, quando era cobrado o "quinto". Tinha como objetivo combater o contrabando do ouro e a sonegação dos impostos.
#Derrama: cobrança dos impostos atrasados de uma determinada região. Os pertences de valor são tomados.


 3- Consequências da Mineração:
 -Povoamento do interior;
 -Processo de urbanização com a formação de vilas e cidades;
>Exemplos em Minas Gerais: #São João d'el Rey;
#São José d'el Rey (Tiradentes);
#Vila Rica (Ouro Preto);
#Sabará;
#Mariana;
#Etc. -Revoltas contra os excessos nas cobranças de impostos:
 >Revolta de Felipe dos Santos (Vila Rica): protesto contra a criação das Casas de Fundição.
>Conjuração/Inconfidência Mineira (Vila Rica): além do protesto contra a cobrança da "derrama" visava a independência local.


 4- Divisão de Classes:
 -Sociedade açucareira dividida em Senhores do Engenho (no topo da pirâmide) e trabalhadores (livres e escravos) (na base da pirâmide).
 -Sociedade Mineradora dividida em Senhores de Minas (no topo da pirâmide), classe intermediária (no meio da pirâmide, geralmente forneciam alimento e coisas necessárias aos senhores) e trabalhadores (livres e escravos, na base da pirâmide).


 5- Diferenças entre Sociedade Açucareira e Mineradora:

 -Vida e Família-

 >Sociedade Açucareira: predominantemente rural. Família do tipo patriarcal (obediência total de todos os integrantes com relação ao Senhor de Engenho). Todos, menos os escravos, vivem na Casa Grande.

 >Sociedade Mineradora: predominantemente urbana. Família do tipo paternalista (menor grau de obediência dos integrantes, pois vivem separados nos seus sobrados).


 -A Riqueza (que permanece no Brasil)-

 >Sociedade Açucareira: concentrada nas mãos dos Srs. de Engenho, pois a fazenda açucareira era autossuficiente.

 >Sociedade Mineradora: possibilidade de distribuição da riqueza, pois a sociedade mineradora era insuficiente. Desse modo, a classe intermediária surgiu, e junto com ela surgiu a mobilidade social.


 -Situação do Escravo-

 >Sociedade Açucareira: impossibilidade de alforria (liberdade).

 >Sociedade Mineradora: possibilidade de alforria. 6- Consequências (continuação):

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 -Ligação da região da mineração com outras regiões da colônia.
 -Transferência da capital da colônia de Salvador (Nordeste açucareiro decadente) para o Rio de Janeiro (Sudeste minerador em desenvolvimento) em 1763.

História (Oitavo Ano do E.F. II) - Formação do Povo Brasileiro

1- FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO

-O Povo Brasileiro na sua formação inicial foi consequência de um processo de miscigenação entre três etnias: a indígena, a portuguesa e a africana.
-Miscigenação: mistura de etnias.
-Etnias: conjunto de características físicas e principalmente culturais que diferenciam os seres humanos. OBS: O conceito de raça é ultrapassado pois só leva em consideração a cor da pele.
-Os indígenas eram os habitantes originais do Brasil. Os portugueses tinham descoberto e colonizado a terra, e os africanos foram trazidos pelos portugueses para servir de mão-de-obra escrava na colonização.
-Essa miscigenação não aconteceu de forma natural; foi uma imposição racial, cultural e sexual do colonizador português sobre indígenas e africanos. Além disso, ocorreram outras formas de imposição. Os indígenas foram obrigados a fazer a catequese (conversão à fé católica) e os africanos foram escravizados.
-Essa miscigenação também gerou três tipos de mestiços: mulatos (branco + negro), que eram os mais comuns no Brasil e eram encontrados principalmente no Nordeste (açucareiro) e no Sudeste (minerador). Caboclos/mamelucos (branco + indígena), encontrados principalmente nas regiões Norte (drogas do sertão) e Centro-Oeste (criação de gado). Cafuzos (índígenas + negros), em menor quantidade, são comumente confundidos com os mulatos.


 2- OS MITOS

 -Mito: "Ideia falsa, que distorce a realidade ou não corresponde a ela" (Mini Aurélio - Editora Nova Fronteira).
-Tipos de Mitos:
>Pejorativo - Denigrem (negam) a importância dos formadores do Povo Brasileiro.
>Ufanista - Supervaloriza a realidade.


 3- A REALIDADE (HOJE EM DIA)

 -Luta constante pela liberdade, dignidade e cidadania;
-Importância do indígena na preservação da floresta e do meio ambiente;
-Importância do negro na luta pela liberdade e contra o preconceito.